A imprensa e o lixo flutuante na Baía de Guanabara

RONIE LIMA

A imprensa vive criticando – com razão – o andar da carruagem das ações de despoluição da Baía de Guanabara, que, como já ficou claro, não atingirão a meta de coleta e tratamento de 80% dos esgotos das cidades de sua bacia hidrográfica até as Olimpíadas do Rio, em 2016. Mas, para não ficar nesse círculo vicioso de só apontar o lado negativo das coisas, os meios de comunicação – em especial as emissoras de TV e de rádio – podem contribuir, de forma propositiva, para a tão almejada despoluição – em especial no que tange ao problema do lixo flutuante.

Como? Liderando campanhas publicitárias de educação ambiental para que a população deixe de jogar lixo nas ruas, córregos, rios, mares e nas águas da Baía de Guanabara. Em especial, abrindo espaços gratuitos em sua grade de programação, demonstrando sua boa vontade em participar desse importante esforço educacional dos fluminenses.

Até porque o lixo flutuante na baía é um tipo de problema ambiental que, se ficarmos só esperando o Estado agir, danou-se. Trata-se de uma questão que, se a sociedade não se envolver como um todo, não será resolvido – sequer minorado. Afinal, como impedir que milhões que vivem no entorno continuem a jogar tudo e qualquer coisa em cursos d’agua que vão parar na Baía de Guanabara?

Vamos combinar: o brasileiro médio, do mais pobre ao mais rico, é um povo sem educação ambiental – e porcalhão por natureza. Joga lixo em qualquer lugar que lhe dá na telha.

Tudo bem: lixo é uma questão essencialmente municipal, cabendo às prefeituras promoverem sistemas eficientes de coleta e de destinação final dos resíduos urbanos para tratamento. Mas, obviamente, nunca existirá exército suficiente de garis capaz de deixar nossas cidades limpas se, antes de tudo, os moradores e visitantes não assumirem suas responsabilidades de cidadãos ambientalmente conscientes, parando de jogar lixo em qualquer lugar.

Aliás, em termos de saneamento da baía, um ponto que avançou muito, na gestão do então secretário do Ambiente Carlos Minc, foi o tratamento de lixo nos municípios de sua bacia hidrográfica, que, apoiados pela SEA, passaram a destinar seus resíduos sólidos para aterros sanitários – fechando lixões municipais.

Mas, repito: sem consciência ambiental de todos os cidadãos, vai continuar chegando lixo nas águas da Guanabara!

Falar mal de governo, do tão famigerado Estado, dos políticos, enfim, sempre foi o caminho mais fácil para brasileiros que cismam em enxergar apenas no Poder Público alguns males que, no fundo, têm a ver com o próprio jeito de ser da sociedade com um todo. Enfim, nós não costumamos assumir nossa própria culpa no cartório.

NOVA POSTURA

E aqui surge o papel fundamental dos meios de comunicação. Uma boa educação ambiental deve começar dentro de casa, na família, e nas escolas – para que as crianças de hoje sejam transformadas nos adultos responsáveis de amanhã. Mas esse processo educativo ganhará muito em escala se for assumido – e liderado – pelos grandes conglomerados de comunicação – em especial os detentores de emissoras de TV e rádios, com seus sites e redes sociais.

Os acionistas majoritários dos meios de comunicação e os jornalistas devem ser unir para, juntamente com agências publicitárias, prefeituras e o governo do Estado do Rio de Janeiro, elaborarem campanhas criativas que, permanentemente, estimulem a população a agir adequadamente no que tange a grandes questões ambientais. E não falo somente da destinação adequado do lixo, mas também, entre outros, do uso mais racional da água e do consumo de energia.

O mundo moderno pede uma nova postura de todos – menos negativista, mais propositiva, mais colaborativa. A imprensa precisa incentivar mais, em suas reportagens, editoriais e espaços publicitários, os projetos e ações que incentivem o brasileiro a construir um país melhor, mais consciente dos seus direitos e, principalmente, dos seus deveres.

OK, é importante denunciar, mostrar o podre, criticar o que está errado. Mas isso tem que vir acompanhado, de forma mais equilibrada, de uma linha editorial em que se destaque o bom exemplo.

Não vamos construir um Brasil novo, um mundo novo, só criticando, metendo o pau. Chega de abrir espaço a todo instante para os porta-vozes da crítica fácil – daqueles que só sabem apontar erros e defeitos, sem apresentar uma proposta positiva que seja.

Que tal combinarmos assim com os repórteres: toda vez que um entrevistado fizer alguma crítica, pergunte: “Tá bom, mas dito isso, qual a sua sugestão prática para que isso não se repita, para que essa situação melhore?”.

E no caso de um governante que repetir que os recursos são escassos e que ainda há muito por fazer, que tal emendar sempre com perguntas do tipo: “Tá bom, dito isso, qual ação coordenada, qual projeto, qual iniciativa a curto e médio prazo o governo está articulando para alavancar os recursos necessários? Quais as etapas, quais as obras mais urgentes? Que projetos já foram elaborados para poder captar recursos para a sua execução? Que tipo de política coordenada o governo está implementando com empresários, prefeitos, agências financeiras etc. para viabilizar as ações necessárias para despoluir a Baía de Guanabara?”.

Sim, recuperar a Baía de Guanabara é algo complexo. Fala-se que, até agora, chegou-se a 50% de despoluição. Eu não acredito nesse percentual. Embora seja importante reconhecermos que houve avanços no saneamento da baía nos últimos anos, acredito que esse percentual esteja mais próximo de 40% de coleta e tratamento dos esgotos sanitários produzidos pelos 8,4 milhões de habitantes do entorno da baía.

Ou seja: ainda há muito por fazer, com muitos recursos sendo necessários! Além dos recursos até agora mal empregados no famigerado PDBG (Programa de Despoluição da Baía de Guanabara), da ordem de 760 milhões de dólares, o governo estadual alocou, nos últimos anos, novos recursos de quase R$ 2 bilhões para atacar o problema. Só que técnicos mais experientes falam que serão necessários, no mínimo, mais R$ 6 bilhões para se alcançar a universalização do saneamento do entorno e, consequentemente, chegar à despoluição de 100% do espelho d´água da Baía de Guanabara.

E mais: como essa despoluição depende, antes de tudo, do avanço da coleta e tratamento de esgoto das 16 cidades que integram a Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara, é necessário, antes de tudo, a constituição de uma autoridade pública – de preferência alguém subordinado diretamente ao governador – com força política para articular projetos, financiamentos e coordenar (com muitas pressão política!) as ações de saneamento das prefeituras.

COMPETIÇÕES OLÍMPICAS

De qualquer forma, do ponto de vista do risco para as competições náuticas das Olimpíadas, sinto desapontar a imprensa negativista, mas é pouco provável que possam ser prejudicadas pela poluição das águas da baía.

Em primeiro lugar, existem fortes correntes, vindas do Oceano Atlântico, que ajudam a diminuir em muito a poluição das águas da baía na área onde ocorrerão as competições. O problema maior seria então o lixo flutuante. Mas aí também pode haver “solução”, mesmo que paliativa, com o emprego de uma frota de ecobarcos para recolher o lixo que estiver flutuando horas antes das competições.

Lógico que, no caso, não seria uma solução confortável, pois exporia nossas fraquezas ambientais, com emissoras de TVs, rádios, sites, jornais e demais publicações do mundo inteiro apontando o exército de ecobarcos necessário para “limpar” as raias das competições náuticas. Ou seja: um mico internacional!

Por isso, se não queremos fazer feio e passar vergonha com a porcariada flutuante na baía, mesmo que não prejudiquem as competições náuticas, é preciso que os meios de comunicação e a população deixem de ficar apenas criticando, passando a colocar a mão na massa e assumindo suas responsabilidades nessa questão.

Há tempo para essa transformação cultural? De forma radical, de uma hora para outra, acho pouco provável. Mas a vida é assim: caminhamos e evoluímos por etapas. Então, mesmo que até as Olimpíadas seja difícil essa transformação, se começarmos desde já, certamente as águas da Baía de Guanabara estarão um pouco melhor do ponto de vista do lixo flutuante, melhorando nossa imagem perante o mundo Olímpico.

O mundo novo, aqui e agora!

RONIE LIMA

A maior geleira da Antártica Oriental – a Tooten, com 120 km de comprimento por 30 km de largura – está derretendo; surpreendendo cientistas que a consideravam à prova de correntes mais quentes do oceano. A seca assola o Sudeste brasileiro, faltando água – algo impensável para muitos, em especial num país que detém uma das maiores reservas de água doce do planeta. Sim, os eventos climáticos extremos estão aumentado de frequência e intensidade. E daqui a pouco, vamos nos dar conta de outro problemão: o aumento do nível dos mares.

A economia de mercado está em frangalhos. Muito mais do que a pobreza, a desigualdade econômica e social está fazendo vítimas para tudo quanto é lado, alimentando guerras, disputas e radicalismos de toda a espécie – do terrorismo ao banditismo urbano; inclusive em favelas. Estrangulado pelo desenvolvimento técnico-científico – que moderniza a produção, mas dispensa mais e mais empregados – e pela destruição da natureza, com o avanço do aquecimento global, o modo de produção capitalista beira o ponto de não retorno.

Deu para entender? Pessoal, os tempos chegaram. Começou a Pororoca – ambiental, climática, econômica, sociocultural. O chamado Apocalipse. É definitivo? Não. A não ser que a humanidade tome tenência, mude radicalmente de rumo, sendo mais equilibrada e tolerante, e caia de cabeça na construção de um consenso mundial em torno de algo inadiável: um novo Contrato Social.

A humanidade precisa construir a base de novos modelos de se fazer economia, com baixo consumo de carbono, e de se relacionar socialmente, com mais equilíbrio e justiça social. Com mais preservação ambiental. A chamada Economia Verde.

Não vamos tapar o sol com a peneira. Uma grande revolução educacional e cultural é necessária, como base de qualquer mudanças política e econômica mais eficaz e democrática. Seremos capazes disso? Sinceramente, não sei. Os problemas acumulados são de tal ordem de grandeza que as mudanças precisam ser muito rápidas e profundas. Até porque se não vierem, vamos torrar cada vez mais em guerras (até por água!), disputas territoriais e eventos climáticos extremos.

Algo muitas vezes impensável num planeta em que a maioria da população continua a estimular e apoiar (muitas vezes inconscientemente) o crescimento populacional e o consumismo desvairado, desenfreado.

No entanto, dos males, o menor. Como se costuma dizer, as pessoas só aprendem com a dor. Talvez aqui no Sudeste brasileiro, com a carência de água, os pensadores mais antenados, esclarecidos, que vivem em duas das maiores cidades do planeta – São Paulo e Rio de Janeiro – engrossem um movimento sociocultural pelo incremento de iniciativas e modelos de vida sustentáveis.

O discurso velho de guerra, de inspiração marxista, de que antes precisamos mudar as estruturas sociais, a base da economia etc., é bom para alimentar papo de intelectual em mesa de bar. Mas é pouco eficiente, produtivo. Sim, é importante mudarmos leis, formularmos novos padrões econômicos, de funcionamento do Estado etc. e tal. No entanto, nunca é demais lembrar: quem implementa mudanças são pessoas de carne e osso, e não entidades abstratas.

Quem afinal promove mudanças estruturais? Os ETs? O fantasma do Marx?

O novo Contrato Social só pode nascer a partir de mudanças interiores, de pessoas sensíveis que começam a engrossar, lentamente que seja, um caldo sociocultural transformador. O novo mundo está dentro de nós. As pessoas mais antenadas, mais espiritualizadas, eu diria, são as que vão – sempre foi assim na história da humanidade! – liderar os processos de renovação social, econômica e ambiental que se fazem necessários.

Nunca foi tão importante os líderes políticos, da sociedade, do Poder Judiciário, os intelectuais da Academia, dos diversos setores do saber, enfim, nunca foi tão importante as pessoas se agruparem em torno de projetos de reformulação e construção de novas leis, de vida social, de ações empresariais verdes, de reforma do Estado. Simplesmente, não dá mais para continuarmos desse jeito.

Precisamos de teorias e práticas renovadoras. Precisamos estimular a compra de produtos ecológicos, investimentos relacionados com empregos verdes, com fontes alternativas de energia, com o pensar grande, mas de forma localizada, com cidades menos inchadas, compactas, empresas com menor tamanho, com funcionários e acionistas que participem mais de sua administração.

Precisamos estimular práticas menos consumistas – não só de água e energia, mas que diminuam a sede desenfreada por produtos sempre e sempre novos, como carros, celulares etc. Precisamos de produtos cada vez mais ecológicos.

O pensamento político, então, atingiu níveis de pobreza intelectual apavorantes. Tanto as soluções estatistas ou mercadológicas já eram há muito tempo; seja à direita ou à esquerda. O mundo da economia baseado no símbolo do dinheiro – cada vez mais fictício, sem lastro numa real base de produção industrial e agrícola – está se esgotando. Assim como a outra face dessa mesma moeda podre: o Estado.

Essa mudança de paradigma de vida pode parecer complexa para a maioria das pessoas, algo quase na esfera do impossível. E o é. Mas só enquanto não passarmos a atuar feito formiguinhas, construindo hoje – mesmo que pareça algo muito lento – o mundo do amanhã. Ficar parado à espera do mundo novo é que não dá mais pé!

É a tal história. Se a pessoa tem um discurso muito bonito, de avanço social, de mudanças estruturais, o que a impede de começar a mudar o mundo – para melhor – dentro da sua própria casa, do seu trabalho? O que a impede de ser alguém melhor dentro da própria família, do seu círculo social mais próximo, dando exemplos edificantes? Melhorar não é fácil – ainda mais quando temos preconceitos e estilos de vida negativos tão arraigados em nosso ser. Mas não é impossível!

Sinceramente: dá para acreditar nos bons propósitos de alguém que diz que deseja mudar o mundo, mas não consegue avançar – um tiquinho que seja – dentro da sua própria casa, nos locais que frequenta e trabalha? Alguém que não consegue mudar a si próprio pode se dar ao luxo de querer mudar o mundo?

O futuro

CÉLIA RESENDE

Em 1995, comecei a escrever o livro Terapia de Vidas Passadas – uma viagem no tempo para desatar os nós do inconsciente. Preocupada com nossos atos inconscientes, no capítulo 38 resolvi fazer uma reflexão sobre o futuro, considerando-o como consequência de nossas ações no passado.

“Muita gente procura nas previsões do futuro a esperança de uma vida melhor, em vez de perceber que o futuro é apenas uma possibilidade baseada na soma dos fatos do passado e de nossas ações no presente” (…)

Relendo o texto, pude constatar que a calamidade anunciada há 20 anos está hoje diante de nossos olhos. As reservas hídricas estão se esgotando, assim como as relações humanas, os conflitos, as guerras e o terrorismo se espalhando como um vírus incontrolável.

O pior, a minoria que tem uma gota de juízo e ética se divide naqueles que se encontram perdidos, atirando em todas as direções ou aqueles descrentes e se sentindo vitimados.

– Não tem saída.

– A culpa é dos governos – dizem.

A realidade é que a culpa é de todos nós. Assim, o tempo vai passando, o caos vai se instalando pelos quatro cantos do planeta, e vamo-nos habituando com a desgraça, a violência, a injustiça – e o desânimo aumentando. Incrível como nada ou quase nada fizemos para mudar o curso da História, caminhando como porcos cegos e surdos em direção ao abismo.

Quanto tempo levará para que possamos entender nossa responsabilidade pelo que acontece em cada pedacinho da nossa casa – a Terra?

Quantas reencarnações serão precisas para que possamos entender que cada pensamento, cada gesto nosso, gera consequências logo adiante?

E, avaliando o mundo que nos cerca, dá para perceber que ninguém está inocente nessa história. O que fazer então?

Vale uma reflexão, um mea-culpa sobre as coisas banais do cotidiano, mas que são capazes de impulsionar as mudanças internas que cada um pode fazer para alterar o rumo de suas vidas. Quando uma vida muda para melhor, aparece uma luz no final do túnel.

Eu consumo apenas aquilo que realmente necessito para viver decentemente?

Estou criando o hábito de fechar a torneira enquanto estou ensaboando as mãos, o corpo, seja lá o que for? Desligo a luz quando saio de um canto para outro da casa? Nesse tempo de calor tórrido, ligo o ar-condicionado apenas em situações extremas?

Preocupo-me com as reservas de água, com o lixo que leva centenas de anos para se desintegrar, com o lixo atômico contaminando águas, plantações e o ar que respiramos?

Em que os meus hábitos estão contribuindo para deteriorar o mundo em que vivo?

Essas perguntinhas básicas devem ser feitas no sentido de uma radical mudança de maus hábitos que afetam diretamente o planeta em que vivemos. Hábitos baseados num modelo de produção e consumo que explora o meio ambiente de forma irracional, predadora.

Portanto, para deter o cataclismo que se avizinha, é preciso uma reforma completa na maneira de pensar a vida, nos princípios que regem o modelo de felicidade e bem-estar.

Lixo é matéria-prima fora do lugar

Ronie Lima

 

Gosto da expressão lixo é matéria-prima fora do lugar. Nos últimos anos, tenho me sensibilizado com a crescente organização do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. Hoje (19/7/2014), mostraram força: mais de 200 lotaram auditório do Sindipetro, no Centro do Rio, em encontro promovido pelo deputado estadual Carlos Minc, para reivindicar do candidato a governador Lindberg Farias que, se eleito, coloque o apoio ao trabalho de reciclagem de lixo no centro do seu programa de governo.

 

Num estado em que as prefeituras – que são as responsáveis por cuidar da coleta e destino adequado do lixo urbano para tratamento – ainda dão pouco apoio a esse importante trabalho, fiquei impressionado com o dado de Claudete da Costa, uma respeitada líder do movimento: nos 92 municípios fluminenses, já existem 10 mil catadores e catadoras de materiais recicláveis organizados em cooperativas.

 

“Nossa categoria não está querendo esmola, somos profissionais. Nós queremos é que o senhor reconheça nossos direitos se for eleito governador”, disse Claudete. Palmas para ela, para o Tião Santos, Docinho e tantos outros catadores que lutam pelo reconhecimento social do valor inestimável do seu trabalho.

 

O apoio que cooperativas, associações e entidades do setor deram ao evento de hoje à tarde se explica pela relação histórica de Minc com cooperativas de catadores. Quando a Comlurb, por exemplo, ameaçou deixar na mão os catadores do antigo lixão de Gramacho, que estava para ser fechado pela Prefeitura do Rio, Minc articulou – quando era secretário estadual do Ambiente – uma série de iniciativas para apoiar a continuidade da atuação desse pessoal; que ficaria sem função.

 

Daí, por exemplo, nasceu o pioneiro Polo Reciclador de Gramacho, inaugurado no final do ano passado, que já reúne o trabalho de 200 ex-catadores – com a meta de atingir 500 a médio prazo. “Catadores e catadoras que antes trabalhavam em meio a ratos e mau cheiro, agora têm direito a uma vida profissional digna, atuando em local limpo, coberto e com modernos equipamentos, que agregam valor aos materiais que comercializam”, diz Minc.

 

O destino adequado do lixo gerado em todo o território estadual está praticamente equacionado. Em 2006, a situação era dramática: apenas quatro das 92 cidades fluminenses destinavam seu lixo para aterros sanitários – 9% do total dos resíduos gerados no estado. No início de 2014, quando Minc deixou a SEA, 62 cidades já estavam descartando seu lixo em local ambientalmente adequado – representando 92% do lixo produzido nas cidades fluminenses.

 

O grande desafio agora é fazer com que as prefeituras – responsáveis por cuidar do lixo urbano – apoiem cada vez mais o trabalho prévio de coleta domiciliar de materiais recicláveis, estimulando a cadeia da reciclagem e diminuindo, assim, a quantidade de lixo encaminhada para aterros sanitários.

O gueto das UPPs

RONIE LIMA

As UPPs estão fazendo água. Não sou contra as UPPs. Nenhum carioca bom da cabeça pode ser contra as unidades de Polícia Pacificadora instaladas até agora em 38 favelas do Rio. Mas o projeto se aproxima perigosamente de um beco sem saída, por conta da carência de políticas sociais que melhorem as condições de vida dessas populações. Em especial, de um projeto de reforma urbanística que altere a maneira de morar em favelas. Com o apoio de empresários e lideranças comunitárias, os governos estadual e municipal do Rio precisam liderar e articular planos urbanísticos e arquitetônicos que redesenhem mais as favelas, que deem dignidade de moradia, possibilitando uma eficaz política de segurança pública.

A “pacificação” de algumas das mais de mil favelas cariocas embalou a velha quimera de que mais segurança se conquista apenas com mais policiamento. Resultado: o governo estadual se meteu numa armadilha. Na medida em que a população clama por mais e mais UPPs, promete mais e mais UPPs; anunciando que serão 45 até o fim do ano. Como não é barata a contratação continuada de milhares e milhares de policiais militares, o governo pode estar montando uma bomba relógio orçamentária de grande potencial de estrago.

Uma das bases do sucesso das UPPs – que se derrete a olhos vistos – é a questão psicológica, de apoio dos moradores aos novos moldes de policiamento. Veio dando certo a tática de ocupação territorial, com centenas de PMs atuando, em turnos, em cada UPP, a partir de bases espalhadas pela favela – coibindo assim a venda de drogas e ações mais ostensivas do tráfico armado. E com o contato com novos policiais, supostamente treinados para uma relação mais social, educada, moradores vinham respirando mais aliviados.

Vinham. Não dá para apostar no sucesso desse projeto de segurança sem haver um redesenho das favelas. Os becos, as vielas estreitas e sem sol, a umidade, o esgoto a céu aberto, a falta de dignidade de moradia são um prato cheio para o crime; para o combate armado. Por outro lado, o Estado não encontra espaço para suas ações sociais mais básicas, como a circulação dos veículos de serviços públicos e obras de saneamento. A criação de ruas e praças arborizadas, parques, polos esportivos é essencial não só para o bem-estar das pessoas, mas também para a ação do aparato de segurança. Na falta de investimento nessa realidade dos sonhos, temos policiais cada vez mais tensos, temerosos de algum ataque do tráfico na viela mais próxima – e que acabam ficando mais brutos com moradores, minando a moral psicológica das UPPs. Por sua vez, os traficantes, que não são bobos, voltam a investir em badernas e tiros, amplificando esse desgaste.

Como os terrenos ocupados em geral não têm áreas de expansão, e o direito de moradia é inquestionável, a criação de espaços de circulação da cidadania passa pela verticalização das favelas – com a construção de dezenas de prédios de pequeno e médio porte (nada da pesada estética de conjunto habitacional!) no lugar de milhares de casinhas. Se a sociedade quer mesmo enfrentar a sério a questão da segurança pública nas favelas, precisa centrar em ações de elevação da autoestima dos moradores, do seu orgulho de moradia, de viver num lugar mais agradável, que estimule uma boa relação comunitária. Mais escolas, postos de saúde, cultura, mais empregos, tudo isso é muito bom – aliás, bom para todos nós. Mas a base do projeto de pacificação tem que ser a reforma urbanística das favelas.

Sim, é um desafio caro – e complicado – de se fazer. Mas precisa ser feito. É impossível que tenha sucesso qualquer política de segurança em favelas se 1/3 dos 6,3 milhões de cariocas continuar a viver empacotados assim. Sem o orgulho de moradia, não há exército que dê conta de um mundo de frustrações psicológicas e financeiras. As favelas com UPPs vivem sob paz aparente. O projeto de pacificação não terá futuro enquanto o morador sentir na pele um estigma social perverso, reforçado no Rio dos anos 1990 para cá: morar em favela é como morar num gueto, numa espécie de Faixa de Gaza Carioca. O projeto das UPPs está por um fio, com tudo para se transformar no policiamento tradicional, corrupto e truculento de sempre. Pior: num engodo politiqueiro e problemático de ser bancado pelo Estado.

Célia Resende

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CÉLIA RESENDE – PIONEER IN THE INTRODUCTION OF TVP (PAST LIFE THERAPY) IN BRAZIL

Psychotherapist since 1990, Celia Resende is one of the precursors of past life therapy in Brazil. Writer with five published books,Celia Resende holds lectures in Brazil and abroad, as well as courses for Unipaz/Sul since 2004.

Her multidisciplinary career includes, at the age of 19, the foundation of the brand and boutique Fragile in Ipanema, foundation of the brand and boutique Fragile in Ipanema, in the Southern Area of Rio de Janeiro. This business initiative was a partnership with the architect Carlos Veiga and the artist Adriano de Aquino, who made history in the early 1970′s, as one of the mainly responsables for the behavioral fashion adopted in Brazil at that time.

Three years later, Célia Resende went to Paris, where she studied Buddhist psychology, participated in Lacanian’s cartels and transpersonal psychology courses. Back to Brazil, Célia studied Scientology with Meachean Magdalene. In the Zen Center of Houston, Texas (USA), she learned meditation practice and also made a projectiology course with Waldo Vieira.

In Brazil, Célia worked as art director for advertising, made costumes for theaters and participated in the founding of the Casa de Cultura Laura Alvim in Ipanema, created by the anthropologist and then State Secretary of Culture of Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro. Since the inauguration of this important cultural center at the Southern of Rio in 1980, Celia Resende coordinated the department of film and video, also creating international cultural projects.

At the same time, she deeply studied Kardecism taking part in materialization spirits groups for healing at Home of Frei Luiz and at the Prayer Group, during 10 years.

In 1985, Celia released her first book Mangue (Mangrove) published by the  Secretary of State of Science and Culture of Rio de Janeiro. The book was based on the screenplay Mangue, a pioneering documentary that gave voice to prostitutes of this former prostitution area in Rio de Janeiro – and won the award for Best Screenplay of the XII Festival of Brasilia in 1979.

The second book published in 1999 by Editora Record (Publisher Record), deals with clinical experience with TVP (Past Life Therapy), which discusses the basis for the new chain of transpersonal psychology.

Launched in 2003, his book “Nascer, Morrer, Renascer” (Birth, Death, Rebirth) reveals the experiences of seven patients who returned to the past to understand their trajectories of failures and successes until the current life.

“Siga em Frente” (Carry On), her third book published in 2007, helps to understand the tripod of fear, anger and guilt, and how it has a negative impact on human behavior.

In 2011 the book called “Sindrome do Panico tem cura” (Panic Disorder has a cure), a thorough research of the causes and possible cures for phobias and panic disorders that increasingly reaches more people around the world, was published. According to her, self-discovery in TVP sessions with homeopathy, meditation, yoga and healthy diet can cure this evil  that criples great part of the humanity.

To Celia Resende, “self-discovery is the key to a better life. Who we are, where we came from and where we are going are issues that affects humanity. Although not all the answers can be found, it’s actually worth to dig deep inside and find some of them.”

 

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